Páginas

16 novembro 2014

Amor e segurança


Ele tem 22 anos de carreira na Guarda Municipal de Curitiba, ela tem 20 anos de corporação e, fora do trabalho, os dois possuem 16 anos de uma união construída em meio a uma trajetória de muita batalha. Apesar da longa carreira de ambos na Guarda, foi somente neste ano, há exatos dez meses, que o supervisor do Grupo Tático de Motos (GTM-GM) Edison Bretas Júnior, 42 anos, passou a ter sob seu comando a esposa e guarda Gisele Rosângela dos Santos Bretas, 41 anos e, segundo eles, essa mudança foi benéfica tanto no aspecto emocional, quanto afetivo.

Contrariando as expectativas, ter o marido como chefe só serviu para reforçar a admiração que a guarda Gisele nutre pelo companheiro. “Eu sempre respeitei muito o profissionalismo dele e a maneira que ele lida com as diversas situações do trabalho e, agora, isso aumentou ainda mais”, explica.
Como a função de Bretas é gerencial e Gisele passa boa parte do tempo na rua de moto, eles não ficam em contato o tempo todo, exceto em ações especiais como blitz, eventos e trabalhos estratégicos. “É na volta para o trabalho que acabamos conversando sobre como foi o dia do outro”, comenta Gisele.
Para Bretas, esse companheirismo em tempo integral acaba sendo uma vantagem em relação aos casais com profissões diferentes. “Temos uma jornada de 12 horas diárias de trabalho e, por vezes, acabamos ultrapassando os horários por ter que acompanhar pessoas na delegacia ou participar de ações que extrapolam o horário. Como nós dois vivenciamos isso, a compreensão dessa vida sem rotina é mais fácil”, compara.
Aliás, o casal Bretas concorda que um dos segredos do casamento deles é justamente não dar espaço para a acomodação e as brigas. “Não pode deixar cair na rotina e sempre zelar pelo respeito”, defende Bretas.
Com a vinda de Gisele para o GTM, o casal conheceu uma nova forma de aproveitar o tempo livre: viajar de moto. “Descobrimos o prazer de viajar de moto e queremos fazer mais vezes”, garante Gisele.
Profissionalmente, os dois elegem o momento atual como o melhor de suas carreiras. “Quando ingressamos na Guarda, a população nem entendia muito bem a nossa função de garantir proteção e, hoje, esse papel ganhou uma função estratégica, como parte fundamental da política de segurança pública”, compara Gisele. “E essa confiança foi construída junto às outras corporações e à comunidade. No nosso trabalho somos treinados para não só resguardar a população, mas gerenciar conflitos e até prestar os primeiros socorros em situações de acidentes e conseguir fazer um bom serviço é muito gratificante”, acrescenta Bretas.
Segundo ele, uma das prioridades do GTM é chegar ao local em que são solicitados em um tempo inferior a cinco minutos. “Treinamos para que o deslocamento de moto seja seguro e ágil, em um intervalo inferior a cinco minutos entre o registro do chamado e a chegada ao local”, afirma Bretas, que participa do Programa Trânsito Seguro e ainda é uma dos professores dos cursos a distância do Serviço Nacional de Segurança Pública (Senasp).
E dessa vasta experiência, o casal orienta que o melhor antídoto para evitar assaltos é a atenção. “Boa parte dos bandidos são do tipo oportunista, que esperam a oportunidade para fazer abordagem”, informa Bretas. “Andar com celular na mão ou deixar a bolsa em cima do banco do passageiro no carro são forma de incentivar a ação de quem está mal intencionado”, avalia Gisele.
Feitos pra durar
A história de amor do casal Bretas deslanchou quase dois anos depois deles se conhecerem durante a troca de turno. “Demorei para acreditar que pudesse dar certo, já que ele estava separado havia pouco tempo”, conta Gisele.
Além disso, Gisele não queria sair de casa e deixar a mãe sozinha. Mas bastaram seis meses para que os dois se convencessem de que aquela história era viável. “Dou nota nove para o meu marido, para que ele não fique se achando, mas na verdade ele merece 11”, declara a guarda. Bretas, mais reservado, corresponde no olhar a admiração por Gisele. Os planos para o futuro incluem morar na praia ou no campo. “Antes, ainda quero realizar o sonho de cursar Letras e dar aulas de Inglês”, conta a guarda.
Com duas filhas praticamente criadas, um de 15 anos e outra de 22 anos, o casal inspira a todos com uma trajetória de batalha dentro e fora da corporação.
Fonte: http://cacadores.parana-online.com.br/curitiba/amor-e-seguranca/

Magaléa Mazziotti

Magaléa tem 34 anos, formada em 2001 pela Universidade Tuiuti do Paraná. E-mail: magaleam@tribunadoparana.com.br Twitter: @Maga_M

Onde Encontrar os Livros? Clik no Banner

Fale Conosco

Assunto do contato
Nome
E-mail
Mensagem
Cidade
Estado



http://www.linkws.com